9. Dobra Pouco Evidente
Frater Adratsom deixa a Loja Akhenaton, no Centro da Cidade. Era necessário despachar urgente com o Grande Oriente do Brasil acerca de grave perturbação na força. Sentira isso quando um outro Frater fazia o Ritual do Trono de Salomão. Algo muito grave estava por vir e isso poderia afetar todas as egrégoras irmãs, inclusive a Gnostica, que nada mais era que uma Ordem Maçônica “aberta” (nem tanto; porém admitiremos essa catalogação para que nossos leitores entendam). Chavajoth lia, como sempre, alguns apontamentos de Marcelo Motta feitos para o pessoal do Campo Sol no Sul da O.T.O.; como sempre, nosso amigo ria profusamente, e, principalmente daquela parte onde nosso doente mental travestido de iniciado falava que recebia cartas de pessoas mortas pelo correio! Chavajoth ria, quando, de repente, os gatos eternos trazidos da quarta dimensão atacam uma forma invisível. Chavajoth entra em estado de alerta e opera a sigilização de seu quarto.
Astaroth estava, naquele momento, a ler alguma coisa na tela de seu computador, quando o sino chinês que ele colocou em um “entroncamento energético”, pois que estava a seguir algumas das leis do que aprendera no Taoísmo, sobre o I Ching, vibra. A vibração do sino na casa fechada, sem nenhuma corrente de vento, o alertou. Astaroth abre imediatamente o Livro de Morgom Astaroth e relembra rituais complexos de sigilização. Imediatamente plasmou um Guardião para que ficasse todo o tempo a vigiar a casa. Comprara dois gatos siameses também para o caso de qualquer problema. O Guardião e os gatos o alertariam para o caso de uma deturpação grave no tecido da imanência dos possíveis.
A vida, porém, segue o seu curso. Anzelm abandona as aulas da especialização em teologia na Universidade Virtual dos Espelhos. Não tinha mais interesse nelas, pois que já estava reprovado pelos professores semi-analfabetos que só o dinheiro público pode manter. Iria aproveitar a bolsa dada por seu país para aprender mais acerca da filosofia de Gilles Deleuze, Pierre Levy, Guattari, Foucault e Cioran. Passava noites e mais noites entre os livros, já que não bebia, não fumava e não usava drogas. Pacotes e mais pacotes de torrada eram comprados no supermercado próximo, litros e mais litros de suco de laranja, pacotes de café, açúcar, queijos, macarrão instantâneo e arroz integral (fora algumas latas de bife de soja, feijão de soja e hambúrguer de soja – pois é sabido que precisamos das proteínas). Anzelm mandara instalar também uma máquina de café expresso em sua casa do mesmo modelo que vira no Centro Cultural da Cidade dos Espelhos, onde se situava a melhor biblioteca de filosofia da cidade, superando até mesmo a Biblioteca dos Espelhos, que fica próximo a Praça Mahatma Gandhi, na Cinelândia, na Av. Rio Branco. Isso era suficiente para que ele se internasse por alguns dias no apartamento que se situava no Boulevard dos Espelhos, próximo ao Hospital Virtual da Universidade Virtual dos Espelhos. Anzelm finalmente dava inicio a seu trabalho de estabelecer uma correlação entre a Filosofia de Gilles Deleuze nos Mil Platôs e a Física dos Quanta de Heisenberg. Agora Anzelm já coloca para si outro passo, que é o de estabelecer uma correlação precisa entre o pensamento de Pierre Levy e a Teoria das Cordas. Chavajoth, o gênio dos gênios, o ajudaria nesse intento, pois um ano se passou e já no próximo Anzelm iria deixar a Cidade dos Espelhos rumo a sua Alemanha Oriental - chamada pelos ocidentais de ostereich e os habitantes do lado oriental de ossies (são nomes pejorativos, do tipo que os Romanos colocaram nos Helenos, pois que Heleno significa em grego: “provindo da luz”, o mesmo que luciférico ou Lúcifer na Língua Latina).
Chavajoth telefona a Voievod. Coisas estranhas, como “carros da companhia telefônica” eram vistos da janela de seu apartamento no bairro de Comprido nos Espelhos, porém Voievod lembra Chavajoth: “uma dobra pouco evidente no tecido da imanência pode tornar liso o tecido estriado do pensamento”. Chavajoth complementa: “o liso é a minimalidade heideggeriana, o estriado é o campo da compossividade nos infinitesimais; uma vez no liso a transversalidade cessa”; traduzindo: uma guerra mágica de grandes proporções pode estar a caminho. Chavajoth vai até a casa de Voievod, lhe compra, igualmente, dois gatos siameses e lhe cria um Servidor Elemental com a energia provinda de um Ritual Draconiano que efetuou com a ajuda de uma sacerdotisa do Templo de Seth que mandara ir ter com ele no apartamento.
Os augúrios não eram a favor de Roma, porém nossos amigos da stoa[1] não são de reverenciar augúrios, pelo contrário são de subverter os mesmos.
Adratsom e V.M. Baalbaki se encontram no Centro da Cidade para discutir estratégias e os outros membros são alertados por nossos amigos, após o encontro. Era necessária uma incursão urgente ao quarto andar da Universidade Virtual dos Espelhos, objetivo: selar os portais e converter os espíritos inimigos em amigos e servidores da Nova Loja através das conjurações enochianas.
Estamos em 20 de Av de 8582 da ascensão dos árias ao poder, e em 22 de fevereiro de 2008 pelo calendário gregoriano terrestre. O local é a Capela Negra, no mundo do inefável. Devido as excelentes condições de paz conquistadas através da destruição sistemática de inimigos, os árias se concentram cada vez mais em um problema que os aflige: a geração de pacotes cada vez mais elevados de energia. Conforme lemos no livro “Império por V.M. Astaroth” a demanda de energia hoje somente do lado ariano da cidade é da ordem de “quatrocentas mil unidades de quilo-fótons por semana (o dia na capital dos árias é algo em torno de 96 horas terrestres - devemos lembrar que com a retransmissão do Sagrado Sol Absoluto feita pela República, a sensação de luminosidade não se desfaz nunca - os árias atingiram o sonho de Tesla)” – lembrando aí o relatório de Ilientsin a Astaroth. Lembremos também que na cena 8 do capítulo seis, do segundo volume (da versão beta), Astaroth encontra alguns sábios israelenses e esses o informam que o moto contínuo para grandes transportes é possível. A idéia de abandonar a fusão e fissão nucleares agrada a Astaroth, pois devemos lembrar que cada experimento de Heisenberg (que neste lado do multiverso está vivo), Planck ou von Brawn pode gerar um buraco negro tão denso que pode tragar o multiverso (e o universo) em questão de horas, isto devido ao grau das potências utilizadas nos testes. Para que tenhamos idéia, se um reator de uma das centrais de geração de energia a base de Manganério explodir na nona infradimensão todo o universo conhecido (da quinta dimensão mental superior para baixo) deixará de existir em seis ou sete horas terrestres e nada pode deter o processo. Preocupados com isso estão não só os árias, mas a Republica Caeli e a Capela dos Auto-Iniciados somam esforços para que em conjunto com os sábios israelitas (recentemente desligados do corpo de matéria no orbe terrestre), com os quais Astaroth teve contato, pudessem adaptar a solução dos motores magnéticos, que em tese gerariam energia limpa, pelo menos a sistemas de propulsão de espaçonaves que não precisassem voar em velocidades superiores a da luz. Cientistas das Waffen SS e da Luftwaffe concluíram estudos no sentido de que o magnetismo só pode ser eficiente se as espaçonaves forem aceleradas a no máximo noventa e nove porcento da velocidade da luz e que se a atingirem o sistema deixa de funcionar, pois aí há a desintegração da matéria e quando há a frenagem da espaçonave ocorre a reintegração devido ao “desenho holográfico” dos sistemas de computação quântica que reúne as partículas componentes da matéria novamente, então, o magnetismo somente é útil no horizonte da matéria agrupada, a chamada “matéria física”. Devido a esse “esforço de guerra” para que se alcance a Solução Final do problema energético (já que a Republica Caeli depende da geração de pacotes cada vez mais elevados de energia, inclusive), os árias, os sábios israelenses e os cientistas da Universidade Livre da Republica e da Capela dos Auto-Iniciados estão reunidos na Embaixada da República na nona infradimensão onde junto com o parque industrial ária aliado a tecnologia de computadores criada pela República intentam criar o primeiro motor magnético de grandes proporções, o que economizaria em muito os reatores e permitiria que uma cidade como a ária, na quinta infradimensão, pelo menos, estabilizasse o fluxo de consumo, com a criação de geradores magnéticos nos centros urbanos, o que alimentaria a complexa rede de computadores neurais quânticos de vigésima-terceira geração. Conto essa pequena história para vocês, que consta do relato (parte delimitada da história dos árias) “Império por V.M. Astaroth” para apenas dizer que Astarteh, Ilientsin, Vladvostok e outros estão na Embaixada da Republica Caeli neste momento e governa o universo o V.M. Sannyassin, Embaixador do Império.
Sannyassin se perguntava como é que aquilo tinha acontecido logo a ele que gostava de aventuras, de trabalho, de ação. Ficar na Capela Negra assinando papéis era coisa para governantes que ficam por aí a ver a vida cor de rosa. Ele é um homem de trabalho. Assinava uma autorização que um habitante da cidade requeria para a aquisição de uma espaçonave de dobra um (espaçonave de passeio). Sannyassin enviou um técnico do Reich para a instalação de um transdutor. Tais espaçonaves de passeio não devem possuir autorização para deixar o espaço aéreo ariano, por espaço aéreo ariano Sannyassin entendia a quinta infradimensão, a sexta, a sétima, a oitava e a nona (pois era o eixo dos países signatários do acordo de cooperação e defesa mútua, portanto a extensão de terra permitida era da ordem de uma infinidade de sistemas solares reunidos – a travessia, a dobra um, poderia ser realizada em, talvez, três a cinco dias, e Sannyassin não considerava isso um negócio ruim – o transdutor era necessário para que as estações repetidoras pudessem ordenar o curso dos pequenos artefatos e desviar quanticamente tais pequenos transportes das gigantescas espaçonaves de guerra e aeronaves comerciais arianas (de passageiros) que funcionavam com a propulsão da fusão nuclear do átomo de hélio ou hidrogênio – coisa que, segundo o que Astaroth viu, (quando atravessou a dimensão cinza, e que é relatado cá em “A Cidade dos Espelhos”), será intuído pelos humanóides em
Sannyassin, então, se perdia no monte de documentos gerados pela burocracia do Estado quando um alarme soa. Era o alarme extra-físico do quarto terrestre (físico) de Ashter Solis bebê na Terra do Sol Nascente. O lugar era o planeta Terra, distante três ou quatro horas em dobra quatro, a máxima que se podia impor devido a reagrupação de matéria nas transições dimensionais (de um mundo menos denso, onde a velocidade da partícula é maior (com menor número de leis mecânicas), para um mais denso onde o número de leis mecânicas é maior e a velocidade da partícula é menor, dando à matéria a ilusão de que esta é mais densa e até mesmo física).
Somente o bebê Ashter (que hoje tem três anos de idade no mundo dos véus de Ísis e cujo Sol é impulsionado pela vontade de Rá, o Deus do carro do Sol), e que é uma criança índigo (criança que tem pleno conhecimento de sua origem extra-física e que sabe quem é), poderia ou saberia acionar o alarme (ou talvez um dos Embaixadores responsáveis pela guarda de realezas no plano dos mortais humanóides, que são Frasier e Rossner). Sannyassin manda abrir canal.
V.M. Sannyassin: Embaixadores Frasier e Rossner, informar posição, em nome do Rei.
V.M. Frasier: Excelência, estamos no bairro de Botafogo, Loja Kether, Cidade dos Espelhos, são 09:41 a.m. do dia 21 de fevereiro de 2008, segundo o calendário de São Gregório, o Papa, Rei dos Árias por Direito. Acompanhamos o V.M. Astaroth, pois aqui foi chamado para que V.M. A.S. possa apresentar seu vergonhoso pedido de desculpas pela humilhação que nosso mestre, representante de Rá, o Todo-Poderoso, sofreu pelas mãos de um mortal.
V.M. Sannyassin: O alarme do quarto de Ashter bebê foi acionado no plano físico. Algo de errado está acontecendo. É necessária uma incursão imediata a Terra do Sol Nascente e vocês são os que podem ir lá mais rapidamente. Eis as minhas ordens. Força e Honra!
Astaroth tinha ouvido a conversa extra-física e ordenou que os Embaixadores partissem imediatamente.
Frasier e Rossner chegaram a Terra do Sol Nascente em questão segundos e localizaram a residência terrestre onde mora Ashter bebê em aproximadamente três segundos, o tempo de traslado total foi da ordem aproximada de quinze segundos (devido a abertura de portal mágico operado por Rossner, que ao lado de Chavajoth e Astaroth é um dos maiores magistas do universo). Rossner entra no quarto e após Frasier. A criança índigo os via e chorava. Uma terrível criatura formada de formas-pensamento e oriunda do maléfico e terrível quarto andar da Universidade dos Espelhos e que tinha a forma de Lady Azor, a Dama Negra do Inferno, estava tentando desencarnar a criança, usando a técnica relatada por Samael Aun Weor no “Tratado de Magia e Teurgia” de “estourar” os centros da máquina humana a base de carbono. Neste momento, a drenagem do corpo vital era da ordem de vinte e cinco porcento. Rossner saca sua espada de fogo e destrói a forma-pensamento de Lady Azor. Lady Azor tinha comprado briga agora com a Grande Loja, a maior de todas as Lojas jamais (des)conhecidas pelo homem. Seu retrato seria adicionado a uma certa máquina, na Loja Saturno, na Alemanha, porém Rossner não pretende que sua partida seja rápida. Depois pensaria no tormento que infligiria a Dama Negra do Inferno. Rossner sela o portal provindo do quarto andar e sigiliza o quarto de Ashter. Manda chamar um guardião do Tempo de Seth e o ordena que fique ali dia e noite, todo o tempo cuidando que intrusos não entrem no quarto de Ashter Solis. Nomeia o Bom Demônio Astor e a V.M. Kamenev guardiões de Ashter no plano dos mortais. Astor é magista também e foi escolhido por suas habilidades mágicas (sua história está ligada a Voievod, quando da iniciação extra-física deste na antiga N.O.D. (Novum Ordo Draconis) este relatou ter visto um ataque mágico intentado contra si ser destruído por esse demônio e que lhe foi dado vislumbrar isso quando de certa feita, no ano de 2005, estava diante do espelho em sua casa no bairro de Comprido nos Espelhos, na Cidade dos Espelhos, e presenciou a atuação do Bom Demônio Astor). A questão, agora, é cuidar de Ashter. Os pais a levam ao pronto-socorro de urgência daquela cidade, porém o problema (se os mortais se livrassem dessas máscaras ridículas que lhes tolhem os olhos) não era da ordem do físico, mas de outra ordem, da ordem de uma dobra pouco evidente.
A questão é que a pequena Ashter adoeceu gravemente. Os médicos do séc. XXI A.D., (bárbaros que adoram se utilizar de um procedimento idiota e inútil chamado cirurgia), não sabiam o que a pequena criança tinha (se soubessem é que Rossner e Frasier ficariam deveras espantados – também, tais “açougueiros” não sabiam distinguir o macrosoma do soma comum, pois acreditam viver em um mundo de matéria; são como peixes em um aquário; as vezes Rossner, tal como Chavajoth, tinha ódio da ignorância dos mortais acerca dos processos energéticos). Rossner manda Sannyassin chamar Zandor[2] e isso alerta a Universidade Livre da República e os Auto-Iniciados. Um dos pais de Ashter é o Senhor de Voltaire, o Deus dos Filósofos, e este começa a acompanhar, a partir da Universidade, o trágico esforço que a ciência dos árias iniciará para salvar o corpo de carbono de Ashter Solis, que tem uma missão muito clara no mundo dos mortais, que é a de lhes apresentar mais matemática, tecnologia e inovações diversas, e, o principal, ensinar a essa gente auto-destruidora, pois que se rendeu a uma religião falsa onde se adora o impostor da Galiléia (que se diz ressucitacionista), o caminho da paz, coisa que só se consegue com a iluminação da consciência, que se dá através da meditação, do encontro consigo mesmo, e da conquista da não-mente.
Sannyassin manda localizar Chavajoth. Esse teria que ser contactado por algum demônio amigo, (no qual confiasse e contra o qual não se sublevasse). Os gatos eternos de Chavajoth não erram nunca e Chavajoth sabia que a dobra pouco evidente (que o grande ataque contra o pensamento) estava
Ao sair da Loja Kether, às 12:48 p.m. desse dia de Nosso Senhor, Astaroth liga a Voievod Vlad Tepes III e esse aciona V.M. Baalbaki e Frater Adratsom. Andramelech é invocado por Astaroth para que tome parte nessa empreitada. Encontrar-se-iam no nono andar da Universidade dos Espelhos, objetivo: quarto andar. Missão: destruir os portais de energia dos Homens do Conhecimento e aplicar a eles o mesmo remédio que deram a criança Ashter, a Estrela Solar, enviada por Rá, o Deus dos Deuses, à humanidade doente. O ódio de Astaroth era o único móbile que o impulsionava e como disse o sábio chinês: o ódio é a única coisa que mantém os homens vivos. Viveria para vingar Ashter Solis, a Luz de Rá, Senhor de todos os senhores.
Chavajoth entra no Palácio Real de governo de Andramelech na nona infradimensão, antes de seguir ao quarto andar. Andramelech convoca a Guarda Real contra o inimigo. O inimigo deve ser destruído, porém na forma dos árias: sofrimento e muita (muita mesmo) dor, antes da desativação do corpo físico a base de carbono. Os Homens do Conhecimento se arrependerão pelo resto de suas vidas, enquanto consciências, de terem se envolvido em querelas contra dois pacatos alunos cujo único crime: “pensar”, foi-lhes imputado e contra os quais voltaram seu ódio ao diferente.
Sannyassin nomeia o Gal. Dayan chefe de governo e parte também rumo a missão. Seria, talvez, necessária tanto a sua presença quanto a de Sayanghev no quarto andar, ao lado de Andramelech e Chavajoth, que levariam a Guarda Real do Palácio de Governo de Andramelech. O ataque será repelido.
Naquele dia 22 de fevereiro de 2008, sexta-feira, às 18:30h, os Homens do Conhecimento tinham marcado mais uma de suas maléficas reuniões de departamento onde a escória que assaltou os departamentos de teologia das universidades do país se reunia, o “problema filosófico” que a reunião apresentava era a posição das latas de lixo nas salas de aula, a “questão” (para a qual invocavam os costumeiros assassinos da filosofia: Wittgenstein e Heidegger) era se a lata de lixo das salas deveria ficar a esquerda ou a direita e “por quê?”. Gente, simplesmente, detestável. Don Luís, Amenhotep, Magister Canonicus e Professor James eram os únicos disponíveis para a missão. As cenas são sempre deploráveis, porém as registraremos aqui.
Prof. Dr. Ragde Seuquram: Em nome de Goebels, Heydrich, Barbie, Eichmann, do grande filósofo Rosenberg e de Heidegger, está aberta a reunião! 88! Salve o Partido!
Neu Kraft: Senhor Chefe de Departamento, solicito a presença da Gestapo[3] neste ambiente, pois hoje temos a presença aqui de Magister Canonicus, do Professor James e de Amenhotep contra os quais reuni suficientes provas de terem feito grande atentado contra a verdade-verdadeira que alcançamos aqui neste justo e sincero Departamento de Teologia e Ciências Afins. Salve Goebels. Sieg Heil!
Professor Playmobil: Neu Kraft não seria melhor a gente deixar de provocar os caras? A gente sempre acaba se dando mal. Esse negócio de quantidade não representa qualidade. Eu estudei John Stuart Mill e Bentham e é necessário estabelecermos, de acordo com uma certa “vontade geral”,uma estatística onde se possa aferir o grau de felicidade das pessoas e dessa forma distribuir melhor a conformidade entre todos. Isto faria com que todos ficassem satisfeitos. Seria tarefa do legislador chegar a essa equação justa. Se todos ficarem satisfeitos, se a sociedade chegar ao equilíbrio em todos os pontos, não precisaremos de enfrentamentos e nem de guerras, pois todos os campos da sociedade serão resguardados e respeitados.
Dr. Oluap Elegnem: Muito bonito isso, Professor Playmobil, mas ao que me consta tanto Stuart Mill quando Bentham eram brasileiros e nós aqui seguimos o pensamento do Dr. Seuquram que é alemão ariano (que fique claro que eu nunca li e não vou ler Freud). Isto posto, tal pensamento não nos serve. Heil Hitler!
Professor Playmobil: Dr. Oluap, com todo respeito, mas Stuart Mill e Bentham eram ingleses e não brasileiros. Tanto é que eles escreveram em inglês e não em português.
Dr. Oluap Elegnem: E como o senhor me explica o fato de eu ter visto os livros deles em português?
Professor Playmobil: É que foram traduzidos do inglês para o português.
Neu Kraft: Não foram nada! Os livros aparecem traduzidos pela vontade do Reich e só. Voltemos a questão, pois quero prender três inimigos nessa reunião hoje. A propósito voto que a lata de lixo das salas de aula fique à direita; melhor que fique na extrema direita, para traduzir melhor o nosso pensamento de libertação da humanidade.
Podemos perceber que o Professor Playmobil está, sensivelmente, no lado errado da força. Como disse o Filósofo: “Playmobil caiu de pára-quedas no departamento”. Prossigamos.
Magister Canonicus: Aproveito o momento para apresentar ao Senhor Chefe de Departamento de Teologia e Ciências Afins um mandato de preservação do pensamento e da liberdade de expressão de meus clientes.
Professor. Dr. Ragde Seuquram: Negado.
Magister Canonicus: Mas, como assim?
Neu Kraft: Esta é apenas uma das surpresas que temos para vocês hoje aqui! Só não consegui provas ainda contra esse tal de Don Luís von Nihil, mas, por certo, conseguirei ainda antes desta reunião terminar. Vocês verão (todos) um sol muito bonito em um campo de trabalho que temos nesta universidade. Vou usar vocês para ajudar na reconstrução do pavimento do reitor, que foi afetado pelo incêndio.
Lady Azor: Mas, Professor Neu Kraft, o reitor não combinou conosco que não falaríamos publicamente sobre o incêndio? E que daqui a algum tempo nós reescreveríamos a história da universidade onde não haveria menção a nenhuma sub-raça e nem a incêndio nenhum? Afinal, esta universidade como um todo odeia o diferente, o pobre, o estudante que usa trem, não é isso? Como o senhor ensinou, sob a luz do grande Heidegger, a todos nós: a causa da pobreza é o pobre e se o pobre deixar de existir, então, não haverá mais pobreza. Isso me parece muito lógico e Wittgenstein concordaria com isso.
Neu Kraft: É verdade, Lady Azor, me perdoe por esse deslize. Porém, não creio que Wittgenstein gostasse disso não. Essa demonstração lógica de que a pobreza é causada pelo pobre e que, logo, se impedirmos os pobres de entrar na universidade (e os matarmos todos de fome antes) vamos acabar com a mesma trazendo riqueza e prosperidade para a universidade e para todo o universo seria melhor aos olhos de Aristóteles e Tomás de Aquino, fora aos olhos do próprio Heidegger, obviamente, que é o deus dos professores do departamento. Eu proponho, então, nesta reunião o extermínio sistemático em câmaras de gás de todos os alunos que morem na zona norte, oeste (com exceção dos que morem perto do New York City Center, Barra Shopping e outros pólos de grande fomentação do pensamento), peguem trem e andem de chinelo ou sandália de dedo. Aliás, o métron deve ser o seguinte: se o estudante tiver uma cor diferente desta folha branca de papel, se morar longe, se for pobre e não vier de carro para a universidade ele deverá ser exterminado por não contribuir com o pensamento, entende? Creio, que, agora, está melhor elaborada essa linha de questionamento filosófico de que a causa da pobreza é o pobre, da mesma forma que a causa da mendicância é o mendigo. O rico, como todos sabemos, é causa de si mesmo, pois a riqueza gera a si em moto perpétuo.
Professor Dr. Ragde Seuquram: Já podemos incluir o nome do Don Luís na lista! Por favor, Lady Azor, coloque o nome de Don Luís nessa lista de extermínio, sim? Ele usa sandália, de vez em quando, vem de chinelo e é trabalhador. Ele preenche todas as condições para ser exterminado por esse nobre e justo Departamento.
Lady Azor [a orientadora dos idiotas que querem transformar filosofia em estética]: Deus é grande! Vamos matar ele primeiro? Por favor, deixem eu acionar o gás! Ele andou ensinando Nietzsche para meus alunos e eles aprenderam! É o fim da picada. Eu, aqui, ensinando a bigodologia do espírito para meus alunos, para eles nunca saberem nada, e vem esse Nihilzinho ensinar Nietzsche e ainda por cima fazer paralelo com Wittgenstein! Todos sabemos que Wittgenstein por ser rico tinha acesso ao pensamento, pois o pensamento advém da riqueza. Isso é certo. Aprendi isso lendo Aristóteles (versão de bolso em nove minutos)[4].
Professor Dr. Ragde Seuquram: Minha senhora, deus é grande e sou eu mesmo, muito prazer! Eu escrevi na Analytica, a nossa prestigiada revista, que eu e deus somos um só. Santo Agostinho é tecnologia atrasada agora. Salve Heydrich! E concordo com a senhora. O pensamento é originário da riqueza e do ódio ao diferente. Se é diferente, nós odiamos, e é isso aí! Por isso, odiamos as pessoas que não são como nós, ricas e pensadoras dos problemas ontológicos pré-hifenzenciais do ser em seu estatuto perfeito da quadratura do círculo.
Neu Kraft: Em primeiro lugar, ninguém vai matar ninguém aqui, antes da reconstrução do gabinete no reitor, que tem sido muito bondoso conosco nos ajudando a colocar cada vez mais a mão no dinheiro público, mesmo com nosso fantástico a-hífen-mestrado com nota três na CAPES. Depois da reconstrução do gabinete do reitor e das geladeiras do quarto andar, aí sim a senhora pode exterminar o Don Luís, mas antes não. Afinal se somos ricos, somos filhos de deus e se somos filhos de deus nós não trabalhamos, estamos combinados? Então, quem trabalha aqui? A turma do Astaroth que fica por aí pensando em justiça social, paz, Pensamento, questionamento, revisionismo histórico, e outras coisas que não sei se são comestíveis ou não. Depois de capturada em nosso campo de trabalho, duvido que a turma do Astaroth não vá querer ler um paragrafozinho 31 de Ser e Tempo com a gente, mas aí já é tarde demais. Fora que o Astaroth é pobre, mais um motivo para combatermos a pobreza nesse país. Voltando ao assunto, o mandato de não sei o que do pensamento (graças a Hitler eu não sei se isso é de comer ou beber) está negado porque fizemos o reitor promulgar as Leis de Nuremberg nesta universidade. Então, a partir de hoje, cachorros, pobres, negros, judeus e sub-raças de toda a espécie não poderão mais entrar no curso de teologia. Os que estão no curso, nós os reprovaremos quantas vezes for necessário para que desistam do de ser teólogos.
Um grande aplauso dos alunos nazistas inunda a sala. Indignado, o Professor James liga para o Filósofo. Era o fim da picada, a máscara nazista caia definitivamente. O ódio ao pobre, ao diferente e ao Pensador (ao homem enquanto pessoa, ser humano) tinha chegado ao limite do tolerável. Don Luís liga para Astaroth que neste momento já tinha chegado a Universidade dos Espelhos para iniciar a incursão de vida e morte que decidiria a sorte da Universidade como um todo, já que Ashter se recuperaria com a medicina estóica de Zandor e o aparato tecnológico dos árias, que trariam o mesmo a Terra, se preciso fosse, para salvar a vida com base no carbono da Estrela Solar, a luz do Deus Rá, o Guia do Carro do Sol e Senhor dos Senhores.
[1] Stoa é palavra do idioma grego que significa “porta”, “portão ou “portal”. Daí vem o nome “stoikós” (estóicos), que são aqueles filósofos que desenvolvem uma filosofia do limite, ou da stoa. Os estóicos ficavam nos limites da cidade de Atenas contemplando o deserto e dizem deles o seguinte: “entravam para sair e saiam para entrar”. A “filosofia da stoa” é apropriada por Deleuze para compor o quadro do empirista transcendental e assemelhar a ele os estóicos; dessa assemelhança surge a conclusão derivada (por paradoxo) de que todo empirista seria, no fundo um estóico; e, ainda, que todo filósofo escolástico é na verdade um representante do paganismo. Essa série de paradoxos pode ser bem compreendida através da leitura da obra Lógica do Sentido de Gilles Deleuze. Porém, antes de se a ler, recomenda-se a leitura de Capitalismo e Esquizofrenia (1973) e de Mil Platôs (vol. 4) do Deleuze, fora ainda de O que é a Filosofia? (do Deleuze também), e, de preferência, que se leia um livro do Osho (Bhagavan Shree Rajneesh) chamado Além das Fronteiras da Mente. Como nosso livro aqui não é uma receita de bolo nos moldes oficiais podemos fornecer através dele quantas referências nos forem possíveis para a boa ilustração de nossos leitores no que pensamos ser de valia.
[2] O médico do Rei.
[3] Tropa assim (carinhosamente) chamada por Neu Kraft e integrada por alunos nazistas. A grande maioria, na Universidade dos Espelhos, só consegue perceber a verdade – quando consegue – às portas do a-hífen-mestrado) que em estudando repetidas vezes o Parágrafo 31 de Ser e Tempo, as três primeiras páginas do Tractatus e a primeira página das Meditationes de Prima Philosophia de Descartes (Meditações em português) alcançaram a mais absoluta verdade, que em sendo incontestável, leva a rigidez e a intolerância acadêmicas. Não é necessário dizer que tais “filósofos” não passam de idiotas e sua existência ou não não faria diferença ao (e no) mundo. O Pensamento agradeceria o fato de tais malditos assassinos da filosofia terem recolhido a si suas insignificâncias.
[4] Lady Azor, por falta de cultura filosófica, ignora que Nietzsche levava vida bastante confortável para um professor universitário de seu tempo.
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